Mãe de jovem morto por facção sofre com a ausência do filho há 10 meses e desabafa: 'Era um menino muito bom'
João Vitor foi atraído por uma amiga que o levou até a facção criminosa Arquivo pessoal "Ele era meu parceiro. Sou mãe solo e enfrentei desde a gravidez t...
João Vitor foi atraído por uma amiga que o levou até a facção criminosa Arquivo pessoal "Ele era meu parceiro. Sou mãe solo e enfrentei desde a gravidez toda a barra sozinha para criar e educar meu filho. Esse foi meu primeiro Natal sem ele, e foi um dos piores momentos da minha vida pois me lembrava de 2024, que a gente passou junto o Natal e o Ano Novo". Este é o relato da auxiliar de serviços gerais Maria Verônica Bezerra da Silva, mãe de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, que foi encontrado morto no dia 11 de março do ano passado, dentro do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O jovem morreu um mês após ajudar a imobilizar um homem durante uma abordagem policial, que gerou revolta entre membros de facção criminosa. Pelo menos 15 pessoas 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp João Vitor era criador de conteúdo em redes sociais com vídeos humorísticos. Conforme a mãe, ele havia sido sorteado para fazer o curso de eletricista no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Segundo o delegado responsável pelo caso, Heverton Carvalho, 15 pessoas já foram presas pela morte do jovem LEIA MAIS SAIBA AQUI: O que se sabe e o que falta saber sobre o caso? Quem era a vítima? Saiba aqui Jovem pode ter sido morto por ter dado mata-leão em suspeito de assalto em Cruzeiro do Sul Suspeito de participação na morte de jovem no interior do AC morre após passar mal na prisão Após 10 meses da tragédia, ela conta que o luto é diário, e durante os primeiros meses, precisou de atendimento psicológico prestado pela Secretaria Estadual da Mulher (Semulher). "Tem dias que tenho que me segurar para não ficar pensando no sofrimento dele na hora que ele estava sendo executado, então, eu me apego muito com Deus para tirar esse pensamento de mim, mas não é fácil, não", relembra. Trauma e espera por justiça Segundo Maria Verônica, o júri dos três primeiros acusados pela morte do jovem vai acontecer em fevereiro. À espera de justiça, ela se prepara psicologicamente para ficar frente à frente com as pessoas que ela crê terem tirado a vida de seu filho. Contudo, de acordo com a mulher, será um processo difícil e que poderá intensificar ainda mais a dor da perda, visto que serão exibidas as provas do crime, o que inclui um vídeo que registrou o crime, feito pela facção criminosa apontada como responsável pelo assassinato. "Era um menino muito bom, meu companheiro. Nesse tempo, estou aprendendo a viver com isso, mas eu não o esqueço, nunca. Lembro como se fosse hoje do dia que ele saiu de casa a última vez, se despediu de mim e não falou para onde ia", conta. Relembre o caso João Vitor desapareceu no dia 8 de março de 2025, após sair de casa sem avisar para onde ia, em Cruzeiro do Sul. O corpo foi encontrado três dias depois as margens do Rio Juruá. Em julho, ao prender um dos suspeito, o delegado Heverton Carvalho informou que os suspeitos, que são integrantes da facção, se irritaram com o jovem por conta do envolvimento dele em uma abordagem da PM cerca de um mês antes do assassinato. A abordagem foi filmada por populares que estavam na região. As imagens mostravam João Vitor dando um 'mata-leão' em Gabriel Farias da Cruz, que foi imobilizado no Centro do município. Nas imagens, algumas pessoas se aproximam e conseguem afastar os dois rapazes. À época, a Polícia Civil afirmou que não foi encontrado nada de irregular com Gabriel e ele foi liberado. Conforme o boletim da Polícia Civil, após ser solto, o jovem teria cobrado da facção criminosa uma punição pelo comportamento de João Vitor. Jovem morto em Cruzeiro do Sul ajudou a imobilizar homem durante abordagem da PM "A cobrança por parte de Gabriel teria dado início às ações criminosas que levaram à morte da vítima", diz o registro policial. Conforme o boletim polícial, João Vitor foi chamado pela amiga Maria Francisca Fernandes Lima, de 27 anos, para conversar com algumas pessoas, contudo, ele foi levado em um carro de aplicativo até o bairro Cohab. Segundo o delegado à época, João Vitor foi brutalmente executado por membros de uma facção criminosa. Antes, a vítima foi submetida ao julgamento do 'tribunal do crime'. Reveja os telejornais do Acre